Na delegacia
A
Sra. Maria de Jesus, 67 anos, nascida e residente neste município de Ouroeste-
São Paulo, encontra-se hoje nesta Delegacia de Polícia para prestar depoimentos
a respeito do caso de um homem encontrado morto e ainda desconhecida sua
identidade pelas autoridades deste município.
A testemunha alega ter ido até a porta para recolher o pão que lhe é entregue
em sua residência localizada à Av. dos Bandeirantes nº 1459, no centro deste
município.
Delegado: Sra. Maria de Jesus, conte-nos
detalhadamente o que aconteceu desde o momento em que a senhora encontrou o
corpo do homem desconhecido caído à sua porta, até a chegada dos policiais
deste distrito policial à sua residência.
Maria de Jesus: Sr. Delegado, desculpe o
meu nervosismo, eu ainda nem consigo acreditar no que aconteceu em frente a
minha casa, aqui sempre foi um lugar tão tranquilo, pacato...
Delegado: Sra. eu entendo o seu nervosismo.
Mesmo assim é necessário que a Sra. me relate o que aconteceu desde o instante
em que encontrou o corpo.
Maria de Jesus: Desculpe, estou realmente
nervosa. Mas vou tentar me lembrar de tudo o que aconteceu naquela manhã. Acordei
muito cedo hoje, como costumo fazer sempre. Fiz o que de costume faço e todo
mundo faz, fui ao banheiro, lavei o rosto, fui até a cozinha, coloquei a água
do café no fogo e ....
Delegado: Senhora, não temos muito tempo a
perder, pode avançar até o momento em que encontrou o corpo?
Maria de Jesus: Desculpe novamente, é que
estou muito nervosa. Mas depois de colocar a água do café para ferver, fui até
a porta para pegar o pão, pois todos os dias entregam o meu pão. Acho mais
fácil pra mim, porque é difícil pra mim, sair todos os dias de manhã para buscar pão.
Delegado: Senhora, por favor? Os fatos!
Maria de Jesus: Desculpe, como eu ia
dizendo, fui até a porta, quando a abri, levei o maior susto da minha vida.
Minhas pernas bambearam, quase desmaiei, ainda bem que havia uma cadeira perto
da porta, senão não sei o que teria sido de mim se tivesse caído, poderia até
quebrar uma perna, ou duas...
Delegado: Senhora Maria, nosso tempo é
muito curto, por favor, os acontecimentos.
Maria de Jesus: Então, como eu ia dizendo,
vi aquele homem lá, estirado em frente a minha porta, no começo achei que ele
estivesse só desmaiado, talvez por ter bebido além da conta, então me aproximei
e toquei sua mão. Ela estava gelada como pedra de gelo. Olhei em volta pra ver
se via alguém que pudesse me ajudar, mas não tinha ninguém porque ainda era
muito cedo. Me refiz do susto e consegui chegar até o telefone e liguei para
vocês.
Delegado: A Senhora não se lembra de mais
nada?
Maria de Jesus: Não, senhor.
Delegado: A Senhora já tinha visto aquele
homem antes?
Maria de Jesus: Não, senhor. Foi a primeira
vez que olhei pra aquele rosto.
Delegado:
Por enquanto são somente essas perguntas, caso necessite de mais alguma
informação entrarei em contato com a Sra. Obrigado. A Sra. está liberada.
Maria de Jesus: Está bem, então vou pra
casa, acho melhor tomar um calmante pra ver se consigo dormir.
Ana Paula Córdoba Zagato
O interrogatório
...Era uma claridade tremenda e de
repente percebi que acabara de amanhecer, consultei meu relógio de cabeceira, e
simplesmente não acreditava que acabara de perder a hora para meu trabalho e
por este motivo finalmente abri meus olhos, levantei e tentei correr o mais
rápido possível para o banheiro, com a escova de dente na mão e lavando meu
rosto ouço a campainha da porta tocar, enxugando as pressas e saindo do
banheiro caminho a te a porta e destranco a fechadura da porta, abrindo-a vejo
um homem caído na soleira, passando o olhar em volta e contatando que não há
ninguém mais em volta, abaixo-me tocando o homem com os dedos e sentindo que
seu corpo esta frio e duro, percebo que se trata de um cadáver e corro para o
telefone para chamar a policia.
As viaturas chegaram a minha casa e o
carro de levar corpos também, foi quando um dos policiais veio em minha direção
me fazendo uma série de perguntas que eu nem sabia responder ele disse:
_Melhor você ir à delegacia e prestar
um interrogatório para melhor esclarecimento sobre o acontecido. Foi quando me
dei conta e achava que esta sendo preso por algo que havia acontecido fora da
minha casa e na minha ausência.
Chegando à delegacia o policial logo me
levou há uma sala fria e meio escura foi quando chegaram um homem mais velho e
um escrivão da policia para começarem as perguntas. O Delegado me perguntou o
que havia acontecido em frente da minha casa e não soube responder com mínimos
detalhes, pois não vi o ocorrido, disse para ele que não sabia de nada.
Ele
disse: _”Você nem ao menos ouviu alguma coisa?”
Então respondi: “_Como eu poderia ter
ouvido algo se estava dormindo neste momento?”
Fiquei enjoado com tudo aquilo e
mais de 4 horas de interrogatório que o delegado estava fazendo comigo como se
eu tivesse alguma culpa naquilo tudo, quando dei por mim outro policial acabara de entrar na sala e
disse:
_Deixem o rapaz ir embora porque pegamos o culpado, ele estava escondido
numa casa ao lado durante o assalto que ocorreu com a arma.
Bom pelo menos tudo
foi esclarecido nesta questão.
Allan Kardec Sousa Alves
Interrogatório
A Sra. Jéssica Mara de Andrade, 26 anos, casada, RG 36.268.482.45, natural de São Paulo – SP, residente e domiciliada na rua Perigosa, n°133, apartamento 156, bloco 01, bairro do Desespero, município de Mogi das Cruzes – SP, encontra-se hoje nesta Delegacia de Polícia – 69°DP para prestar depoimento a respeito do caso de um homem encontrado morto na porta do seu apartamento no dia 02/11/2012.
A testemunha alega que após escutar a campainha tocar foi até a porta de entrada e ao abri-la se deparou com um homem caído no chão e ao tocá-lo, percebeu que ele estava frio, possivelmente morto.
Delegado: Sra. Jéssica, conte-nos detalhadamente o que aconteceu desde o momento em que a senhora encontrou o corpo do homem caído à sua porta, até a chegada dos policiais à sua residência.
Jéssica Mara: Eu estava no banheiro quando escutei a campainha, naquele momento pensei que fosse algum vizinho, em seguida fui até a porta e ao abri-la tinha um homem caído no chão e ao tocá-lo, ele estava frio, neste momento entrei em desespero e comecei a gritar. Após me acalmar liguei para a polícia e depois fui para casa da vizinha, onde aguardei até os policiais chegarem.
Delegado: Qual horário ocorreu o fato? No momento a senhora estava sozinha?
Jéssica Mara: Sr. Delegado, não posso afirmar o horário exato, mas foi próximo das 07:00. No momento estava sozinha, meu marido saiu para trabalhar às 06:00.
Delegado: No dia do ocorrido, antes de a campainha tocar a senhora não se lembra de mais nada, alguma conversa no corredor, briga entre vizinhos?
Jéssica Mara: Não, Senhor Delegado.
Delegado: A Sra. afirma que no momento em que viu o corpo, não tinha mais ninguém próximo, sendo a senhora a única no local?
Jéssica Mara: Sim, só depois de escutar meus gritos, minha vizinha Wilma apareceu. Ela também ficou horrorizada e desse momento em diante ela permaneceu comigo.
Delegado: Em que momento exato a senhora ligou para a polícia?
Jéssica Mara: Logo após a Wilma chegar.
Delegado: A Sra. não conhece a identidade do homem, não se lembra de ter visto ele antes, na vizinhança?
Jéssica Mara: Não, senhor.
Delegado: Mas alguma lembrança sobre o fato?
Jéssica Mara: Não, senhor.
Delegado: No momento são somente essas perguntas. Caso necessário entrarei em contato com a senhora.
Renato Maurício de Oliveira
Olá, colegas Allan e Renato!
ResponderExcluirMuito bom o texto de vocês!
Parabéns!
Ana Paula
Olá colegas do Grupo 3!
ResponderExcluirParabéns pelos textos de vocês, ficaram ótimos!
Como eu já havia comentado no fórum, gostei da forma como a Ana Paula escreveu o interrogatório, consigo visualizar a Maria de Jesus.
Allan, gostei da finalização que deu para o seu texto, você solucionou o crime.
Renato, gostei dos "dados" do seu texto! "Rua perigoso, bairro do Desespero! Me diverti!!!
Abraços a todos!